O presidente da Associação Nacional de
Sargentos lamentou este sábado que o ministro da Defesa, José Pedro
Aguiar-Branco, não tenha a "decência" e a "verticalidade" de ouvir as
estruturas representativas dos militares na reforma das Forças Armadas,
manifestando "grande preocupação" com as "notícias".
DR
POLíTICA
“Estamos nestes últimos dias, todos os dias, a ser
confrontados com notícias que podem pôr em causa uma instituição que é
um garante da soberania, que é o pilar da própria soberania e
independência e da própria Constituição”, disse Lima Coelho,
acrescentando que estas notícias se juntam a outras questões
socioprofissionais, havendo “grande preocupação” entre os militares.
Lima Coelho considerou que a “comissão liquidatária” das Forças
Armadas “parece que está em plena força, que tudo renova, que tudo
reestrutura e tudo termina”.
“Não é que nos oponhamos a essa reestruturação e renovação. Não, pelo
contrário, em muitos aspectos até temos propostas concretas nesse
sentido. Agora, deve integrar aqueles a quem as medidas se aplicam e
aquilo a que assistimos é que o senhor ministro [da Defesa, José Pedro
Aguiar-Branco], num total desrespeito pela lei em vigor, não ouve quem
deve ouvir, não integra quem deve integrar e age, como diz o senhor
primeiro-ministro, no custe o que custar”, acrescentou.
Lima Coelho falava aos jornalistas em Ponta Delgada, no primeiro de
dois dias no arquipélago dos Açores para encontros com militares no
âmbito das comemorações do Dia do Sargento (31 de Janeiro).
Para Lima Coelho, as Forças Armadas “não podem estar debaixo deste
custe o que custar” e serem alvo de uma reforma que se rege por
“princípios meramente economicistas”, que se traduz numa “falta de
respeito por uma vida inteira de serviço daqueles que já serviram”, face
aos "cortes na reserva e na reforma", e “por aqueles que estão no
serviço activo e se vêem constantemente confrontados com alterações à
legislação”.
Lima Coelho recusou, porém, fazer outros comentários mais concretos
em relação ao documento hoje divulgado pela Lusa, que pondera cortes no
número de efectivos e uma nova utilização de militares na reserva.
“Gostaria de discutir esse assunto e fazer mais reflexões sobre ele
se o conhecesse, se o senhor ministro tivesse tido a decência e a
verticalidade de nos envolver, como a lei determina, também para
discutir essas matérias. Neste momento, é um documento que desconheço”,
afirmou.
“O que eu conheço é que há uma enorme falta de respeito por parte
daqueles a quem os portugueses deram o direito de gerir o país. Estão-se
a esquecer que vivemos numa democracia”, acrescentou.
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