.... O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem....
Seguindo
este trocadilho queria deixar aqui um abraço de um até já ao camarada e amigo Mário
Martins (MM).
Foi no ano de 1960 pelo frio dentro que em Janeiro
de Baixo nasce o nosso amigo (MM) terra rodeado de um conjunto harmonioso de
serras, penedos e vales, albufeiras, rios e ribeiras que apetece explorar. Ali
próximo está a Barragem de Sta. Luzia. Mas dentro da Aldeia há todo um conjunto
de pontos de interesse que nos prendem, desde o património religioso e
arquitectónico até à curiosa memória do "Tronco", lugar onde
antigamente se ferravam os animais. É nesta aldeia entre o xisto que o MM
iniciou a sua vida.
No ano de 1981 ingressa na Força Aérea depois de
ter lido nos editais lá da terra que teria de cumprir o serviço militar obrigatório.
É aí que amadurece as suas ideias como pessoa e como Homem, constrói dia após
dia um imenso leque de amigos e faz deste azul que nos rodeia o contraste do
verde da aldeia natal. Foram mais de 31 anos que esteve nas nossas fileiras,
parece que foi ontem, onde nos cruzamos na parada da BA3 e que tão boas
recordações nos trás.
Mas a vida é feita destes pequenos nadas e destas
passagem de vida. Gostaria de citar um dos meus autores preferidos sendo ele “transmontano”
Adolfo Correia da Rocha mais conhecido por Miguel Torga;
É Impossível que o Tempo Actual não Seja o
Amanhecer doutra Era
É impossível que o tempo actual não seja o
amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens
da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade,
respeito humano, foi-se. Os dois ou três casos pessoais que conheço do século
passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de
limitações, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com
que se comprometera no início dela. Além disso heróica nas suas dores,
sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa.
Agora é esta ferocidade que se vê, esta coragem que não dá para deixar abrir um
panarício ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a
perguntar que diferença haverá entre uma humanidade que é daqui, dali, de
acolá, conforme a brisa, e uma colónia de bichos que sentem a humidade ou o
cheiro do alimento de certo lado, e não têm mais nenhuma hesitação nem mais
nenhum entrave.
Miguel Torga, in "Diário (1942)"
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