8 de outubro de 2012

Um até já "Mário"



.... O tempo pergunta ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo responde ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem....


Seguindo este trocadilho queria deixar aqui um abraço de um até já ao camarada e amigo Mário Martins (MM).

Foi no ano de 1960 pelo frio dentro que em Janeiro de Baixo nasce o nosso amigo (MM) terra rodeado de um conjunto harmonioso de serras, penedos e vales, albufeiras, rios e ribeiras que apetece explorar. Ali próximo está a Barragem de Sta. Luzia. Mas dentro da Aldeia há todo um conjunto de pontos de interesse que nos prendem, desde o património religioso e arquitectónico até à curiosa memória do "Tronco", lugar onde antigamente se ferravam os animais. É nesta aldeia entre o xisto que o MM iniciou a sua vida.

No ano de 1981 ingressa na Força Aérea depois de ter lido nos editais lá da terra que teria de cumprir o serviço militar obrigatório. É aí que amadurece as suas ideias como pessoa e como Homem, constrói dia após dia um imenso leque de amigos e faz deste azul que nos rodeia o contraste do verde da aldeia natal. Foram mais de 31 anos que esteve nas nossas fileiras, parece que foi ontem, onde nos cruzamos na parada da BA3 e que tão boas recordações nos trás.
Mas a vida é feita destes pequenos nadas e destas passagem de vida. Gostaria de citar um dos meus autores preferidos sendo ele “transmontano” Adolfo Correia da Rocha mais conhecido por Miguel Torga;

É Impossível que o Tempo Actual não Seja o Amanhecer doutra Era

É impossível que o tempo actual não seja o amanhecer doutra era, onde os homens signifiquem apenas um instinto às ordens da primeira solicitação. Tudo quanto era coerência, dignidade, hombridade, respeito humano, foi-se. Os dois ou três casos pessoais que conheço do século passado, levam-me a concluir que era uma gente naturalmente cheia de limitações, mas digna, direita, capaz de repetir no fim da vida a palavra com que se comprometera no início dela. Além disso heróica nas suas dores, sofrendo-as ao mesmo tempo com a tristeza do animal e a grandeza da pessoa. Agora é esta ferocidade que se vê, esta coragem que não dá para deixar abrir um panarício ou parir um filho sem anestesia, esta tartufice, que a gente chega a perguntar que diferença haverá entre uma humanidade que é daqui, dali, de acolá, conforme a brisa, e uma colónia de bichos que sentem a humidade ou o cheiro do alimento de certo lado, e não têm mais nenhuma hesitação nem mais nenhum entrave.
Miguel Torga, in "Diário (1942)"

Sem comentários:

Enviar um comentário