10 de março de 2013

Falar não custa, falar acertadamente é só para alguns.


Os e-mails abaixo descritos são uma troca de informação para alguns mal entendidos. Para quem tem o dever de informar e não faz trabalho de casa sério, leva muitas vezes a dar uma informação errada e distorcida da realidade. No seu artigo além do titulo que aparece na imagem final o primeiro paragrafo inicia assim num intuito claro de vender jornais:
"Entre os dez grandes grupos profissionais definidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os militares das Forças Armadas foram os únicos que registaram uma subida real do seu salário líquido, entre 2010 e 2012, com uma aumento de 4,9%. Entre todos os outros grupos, a quebra mais baixa é 5%.
Entre o último ano antes da chegada da troika e 2012, o salário médio dos militares cresceu de 929 para 1.039 euros, o que representa um aumento de 12%. No entanto, eliminando o impacto da inflação neste período, a variação real do salário médio foi 4,9%. "
"Exmº Sr Nuno Aguiar

Agradeço a sua pronta resposta.
Confesso que não li o artigo na totalidade e que tive apenas acesso ao extracto da peça, que anexo.
Para os cálculos estatísticos, a redução de efectivos a que se tem assistido nos últimos anos nas FFAA, deverá ter seguramente influência: o pessoal do quadro manteve-se (Oficiais e Sargentos) e saíram muitos contratados (a maioria Praças e por isso com com salários mais baixos) o que faz com que a média suba.
Mas a notícia (o título e o que é visível na imagem anexa) escrita assim (e se eu ainda souber ler), faz parecer que houve aumentos efectivos no salário líquido nas FFAA. Nem o título, nem o subsequente preâmbulo a negrito falam em salários médios nem nas reduções de efectivos então verificadas que conduzem àquele número!
Não sei se concordará comigo, mas, nos tempos que correm, uma notícia apresentada assim, só poderá fazer com que os militares sejam vistos como um grupo de privilegiados em todo este processo de cortes. Ou estarei a interpretar mal?
Folgo em saber que, no desenvolvimento da notícia (que não li), no quarto (?)parágrafo, esclareça que as FFAA têm colaborado no esforço nacional (e não têm sido beneficiado como outras empresas - NAV, TAP - será que as referiu???).

Em jeito de parêntesis  permita-me recordar-lhe que em acidente de alguma aeronave no mar ou em terra, são as FAA  (em terra, em auxílio da Protecção Civil) que fazem o resgate de eventuais sobreviventes. No entanto sabe quem beneficia destes proveitos dos sobre voos e aterragens??? As FFAA não!!!!).

Folgo em igualmente saber que não é seu "...objectivo tentar denegrir as Forças Armadas, que considero uma instituição à qual Portugal muito deve".
Como membro das FFAA, considero que, em função do primeiro impacto da notícia (acho que todos concordamos que o 1º impacto é fundamental para levar o leitor a interessar-se pelo artigo) não contribui em nada para aquilo que afirma, no extracto a azul.
Não duvido da seriedade das suas intenções.
Mas, na minha modesta opinião, e a fazer fé no que atrás realcei, foi pouco feliz.

Com os melhores cumprimentos

Egídio Isidoro"
No dia 5 de Março de 2013 às 12:05, Nuno Aguiar <NAguiar@negocios.pt> escreveu:

Bom dia caro Egídio Isidoro,

Antes de mais, obrigado pelo seu email. A notícia a que se refere foi escrita com base nos dados do INE, que foram publicados no Inquérito ao Emprego relativo ao último trimestre de 2012. Diz respeito ao salário médio das dez grandes classes profissionais. Envio-lhe em anexo o ficheiro excel com os números do INE. O artigo baseia-se nesses e, no próprio texto - que não sei se teve oportunidade de ler na totalidade -, eu aviso para as limitações destes dados.

Não é, de todo, o meu objectivo tentar denegrir as Forças Armadas, que considero uma instituição à qual Portugal muito deve. Bem sei que os militares têm sofrido com as medidas de austeridade tal como o resto do País e, em especial, a Administração Pública. Daí ter escrito no quarto parágrafo do texto: “Nos últimos anos, as Forças Armadas têm também sentido o impacto das medidas de austeridade, não escapando aos cortes salariais transversais no Estado. Sacrifícios que devem ser reforçados nos próximos meses, com a redução de 220 milhões de euros na despesa, já anunciado pelo ministro da Defesa. As várias associações militares vão participar no protesto de dia 2 de Março ‘Que se Lixe a Troika’.”

Os melhores cumprimentos,
Nuno Aguiar




From: egidio isidoro [mailto:egidio.isidoro@gmail.com
Sent: terça-feira, 5 de Março de 2013 11:32
To: Nuno Aguiar
Subject: Aumento de salários nas FFAA desde 2010


Exmº Sr

Tendo por base uma notícia por si assinada no Jornal de Negócios de 01MAR, solicito-lhe que me esclareça se se refere às FFAA de Portugal ou às de outro país.
Mostro-me disponível para lhe proporcionar os meus boletins de vencimento reportados ao período referido e, pedir-lhe-ei desculpas se isso se verificar.
Caso contrário, agradecia um pedido desculpas público, nas páginas do referido jornal.

Com os melhores cumprimentos

Egídio Isidoro 
Só as Forças Armadas viram os salários aumentar com a troika 
Nuno Aguiar  
 

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