14 de agosto de 2013

O MINISTRO DA DEFESA ADMOESTOU O CEMFA!

O MINISTRO DA DEFESA ADMOESTOU O CEMFA!

O General Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), no discurso que fez durante o 61º aniversário daquele Ramo,[1]proferiu algumas frases que provocaram uma resposta algo desabrida no arvorado a Ministro da Defesa (MDN) Aguiar (traço) Branco.

    Do mesmo modo que critiquei o CEMFA (e, por extensão, os restantes chefes) pelo modo como reagiram – isto é, pelo que não reagiram – à extorsão do complemento de reforma dos militares, hoje vou defendê-lo pelo que incomodou este lamentável governante.
    Que terá dito então, o CEMFA de tão grave? Apenas isto: “Que os cortes estão a degradar a capacidade de resposta do Ramo”; “que no espaço de dois anos a FA foi obrigada a cortar toda a despesa em 36%”; “face à evolução dos orçamentos atribuídos desde 2010, temos vindo a reduzir significativamente as horas de voo, a prontidão das aeronaves, as acções de formação e qualificação e a manutenção das infraestruturas”; “a capacidade de resposta pode ser afectada a curto prazo”, e mais meia dúzia de frases semelhantes.
    O político laranja que ficará como um dos piores ministros da defesa, desta atormentada e manca III República, não perdeu tempo – sinal que conhecia o discurso – e replicou que “as vulnerabilidades das FA não devem ser discutidas em público” e “que acreditava ser da cultura de todos os chefes e da boa estratégia militar, que as vulnerabilidades das FA e da Defesa Nacional, não devem ser ecoadas no palco da discussão pública”.
    E acrescentou: “que as fragilidades são combatidas diariamente pelo esforço de uma gestão mais eficiente, pela competente definição de prioridades, pelo rigoroso planeamento da acção e pela indução de reformas que conduzam a um aumento de capacidade operacional num quadro muito exigente na aplicação de recursos públicos”.
    É preciso ter lata!
    Vejamos:
    O discurso do CEMFA foi educado, institucional e comedido. Não discutiu nada (apenas apresentou factos), não revelou qualquer segredo militar nem nenhuma debilidade que não esteja à vista de todos.
    Ou seja o Comandante da FA limitou-se a constatar uma realidade que põe em causa o cumprimento das missões pelas quais é responsável. A única coisa que fez foi dar-lhe uma articulação lógica de modo a poder concluir que “urge, portanto, senhor ministro, encontrar soluções que permitam minorar esta situação”.
    Não se vislumbra no que estas palavras possam ofender seja o que fôr ou quem fôr. Parece até, que o CEMFA não só tinha o direito de dizer aquilo que disse, como também, o dever de o fazer! Quanto muito só perca por tardio…
    Quando algo correr mal, é o MDN que assumirá a responsabilidade?
    Além disso o General Pinheiro não tem só o dever de lealdade para com o Governo tem, outros sim, esse mesmo dever para com as suas tropas, O PR, que é o Comandante Supremo, e ainda perante a Nação que, em 1º e último lugar tem por dever defender e salvaguardar![2]
    Aliás o que se lamenta é que esta posição não tenha sido sufragada em Conselho de Chefes Militares e devidamente apoiada pelos três Conselhos Superiores dos Ramos.
    Por outro lado não há acordo ortográfico que salve as palavras do MDN como, de resto, já se tornou pleonasmo referir.
    Não direi que não seja preferível manter determinados problemas relativos às FA no recato dos gabinetes – apesar de, tudo o que na sociedade que agora temos, tenha sido dessacralizado sem piedade (sendo a culpa dos políticos) – mas isso é para ser feito quando há sentido de Estado e as pessoas são sérias de procedimentos.
    Tal tem sido a norma por parte das sucessivas chefias militares, sem que da parte política tenha havido qualquer correspondência.
    Sem embargo “essa cultura” como o ministro lhe chama, não pode é ser aproveitada para fazerem das chefias militares e dos militares gato – sapato, e usarem os constrangimentos da “condição militar” para manterem as tropas silenciadas, ao mesmo tempo que destroem a seu bel – prazer toda a Instituição Militar.
    Em simultâneo não fazem a defesa institucional da mesma – como lhes compete – a não ser em orações de circunstância, já gastas, ao mesmo tempo que passam, continuamente, para a opinião pública a ideia de que a tropa é muita, é cara, é privilegiada, não se justifica e, “last but not the least”, “também tem que participar no esforço financeiro do País” – deixando subentender que o não querem fazer – quando estamos há mais de 20 anos a dar para este peditório enquanto o resto do País folgava e ia a banhos a Cancun!
     Deve ainda sublinhar-se que as FA enquanto tal, não contribuíram em nada, repito, em nada, para o descalabro financeiro do Estado, que é da exclusiva responsabilidade da classe política! [3]
    Mais ainda, os sucessivos MDN têm vindo, faz décadas, a espoliar os orçamentos das FA em favor dos desmandos e desregramento de outros serviços públicos! Desminta se for capaz!
    O Sr. Ministro devia era estar calado e com a cara pintada de preto!
    E como é que tem o desplante de atirar para cima do CEMFA com o ferrete da melhor gestão, quando não há, nem de perto nem de longe, qualquer organismo do Estado que se administre melhor que as FA, em geral, e com a FA em particular?
    E isto note-se, quando o Poder Político tem vindo a esvaziar constantemente as competências da hierarquia militar, não tem permitido um mínimo de factores estáveis de planeamento e destabiliza reiteradamente a IM com anúncios de reorganizações!
    Sabe que mais Sr. Ministro, apesar de nem se poder equivaler a um “infra” [4]o seu castigo é o de se rebater sobre o plano horizontal e tentar desviar o eixo da Terra, aí umas 50 vezes. A última com palminhas atrás das costas…
    “Você, Traço”, pertence a uma classe política que desgraçou o País – apesar de terem todas as condições para o governarem em “velocidade de cruzeiro” – e vem dizer ao Chefe da Força Aérea para definir melhor as prioridades e ser rigoroso no planeamento da acção?
    Será que não se vê ao espelho, ou o mesmo saiu-lhe numa tombola da antiga feira popular?
    Acaso o gabinete jurídico do Estado-Maior devia ter ido pedir pareceres a escritórios de advogados, similares ao seu? Porventura o Director de Finanças devia ter apostado numa “Swap”? Ou o Comandante da Logística, para asfaltar as pistas, devia ter recorrido a uma parceria público-privada? Sim, diga lá?
     Sabe qual era a prioridade que deviam definir? Esta: os senhores nunca mais alapavam o cóccix no “Falcon 50”, até pagarem o que devem, o que teria já levado a muita poupança e á economia da última viagem que fez a Moçambique, tendo o desplante de fazer vir a fragata que combate a pirataria na Somália, ao porto de Pemba, para a visitar e tirar umas fotos com os jornalistas!
    Diga-me ainda: para si o que será mais importante, a FA, o Benfica ou o PSD?
   Presumo que me irá dizer ser o FC Porto, mas a resposta está igualmente errada…
   Ao reconhecer – pelas palavras que exalou – as vulnerabilidades da FA (e por extensão a dos outros Ramos, ou julga que estão melhores?), o que já fez para as colmatar? Vai vender o que resta dos F-16 (que o país não poderá substituir nos próximos 100 anos) para financiar as instalações em falta no Hospital (escusado) das FA, que já está atulhado? Será isso que chama de “aumentar a operacionalidade”?
    E como tem o topete de criticar o CEMFA por suposta exposição de vulnerabilidades, quando o tristíssimo governo de que faz parte teve a inenarrável cobardia de permitir que a “troika” determinasse cortes nas FA? E nem sequer tiveram vergonha de tal saltar para as televisões?
    Finalmente, Sr. Ministro[5] , gosta de desafios? Ei-lo que fica: porque não corta os 36% que o CEMFA referiu, ao orçamento do seu gabinete e melhora a gestão, redefinindo as prioridades? Aceita?
    Dir-me-á, ainda, o que pretende que as chefias digam em público: mentiras? Que está tudo bem (outra mentira)? Que agradeçam ao governo os grandes melhoramentos conseguidos (idem)? Ou porventura se congratulem com as reformas vitalícias (e secretas) dos políticos?
   Ou pretende apenas que se diga, aquilo que na gíria militar se designa por “generalidades e culatras” ou o acto de expelir o líquido excrementício segregado pelos rins, para o calçado que envolve o pé e parte da perna”? [6]

    O General CEMFA limitou-se a dizer o óbvio e até lhe pediu ajuda.
    O que já não é nada óbvio é que um desqualificado para a função, que nem recruta foi, tivesse o desplante de admoestar o Comandante Aéreo Nacional, publicamente e perante formatura das suas tropas.

    Teve sorte, não ter ficado a falar sozinho e, ainda, não lhe ter acontecido o mesmo que ao seu colega “John Garden”, nos idos de 1975, às mãos de um coronel mais “fogoso”.

     Passar bem (longe).


[1] Que se comemora a 1 de Julho, mas cujas cerimónias decorreram na véspera, em Leiria.
[2] E já nem queremos ir para o campo da defesa da Constituição – que juraram defender – senão a discussão nunca mais acabava…
[3] É bom que se diga que as FA custam ao orçamento do Estado cerca de 2%...
[4] “Infra”, idêntico a caloiro da Academia Militar, cuja definição me dispenso de enunciar.
[5] Nem sei se ainda o será quando este escrito der à estampa…
[6] Vulgo “mijar para as botas”.

Suplemento na GNR adiado. E que suplemento é esse?

Suplemento na GNR adiado

O suplemento de escala em agosto, no valor de cerca de 150 euros, não vai ser pago a 700 militares da GNR de Viseu, denuncia a Associação Nacional de Guardas. O gabinete de relações-públicas da GNR de Viseu alega que o responsável esteve doente e que o suplemente será reposto em setembro.
"E que suplemento é esse? A palavra 'suplemento' cheira logo a benesse, mordomia."

15 de julho de 2013

LISTAS DE ANTIGUIDADES REPORTADAS A 01JUL2013

Pessoal_Equiparado_Militar.pdfPessoal_Equiparado_Militar.pdf
91K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Nao_Permanente.pdfPessoal_Nao_Permanente.pdf
344K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Preparacao_Nao_Permanente.pdfPessoal_Preparacao_Nao_Permanente.pdf
126K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Preparacao_Permanente.pdfPessoal_Preparacao_Permanente.pdf
107K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Quadro.PDFPessoal_Quadro.PDF
526K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Reforma.pdfPessoal_Reforma.pdf
364K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Reserva.pdfPessoal_Reserva.pdf
152K   Visualizar   Transferência  
Pessoal_Reserva_Servico.pdfPessoal_Reserva_Servico.pdf
96K   Visualizar   Transferência  

10 de julho de 2013

Odivelas...fim

Berta Cabral afirma que fusão do Colégio Militar com Instituto de Odivelas vai avançar

Secretária de Estado remete para razões "afectivas" a carta de 35 personalidades, incluindo Ramalho Eanes, altas patentes militares e ex-ministros, enviada a Cavaco Silva.
JOSÉ ANTÓNIO RODRIGUES
(...)“No século XXI não há justificação para haver segregação por género no ensino público em Portugal, há muitos anos que não há no restante ensino, também não faz sentido que haja nas Forças Armadas quando já há tantas senhoras nas fileiras das Forças Armadas a desempenhar cargos de grande responsabilidade, acho que o nosso país tem de dar esse passo qualitativo em termos do ensino militar, sem perder a qualidade do ensino, esse é um pressuposto de partida”, sustentou.(...)
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8 de julho de 2013

EMFAR 2014

"Como nos vendemos por tão pouco .... nem na discussão do documento base dos militares estes têm uma palavra a  dizer (o Chaves não conta porque está comprado e a sua credibilidade é maior junto dos politicos do que nas FFAA; ... ai que pena não ter filmado ou gravado as cenas dele na AM enquanto capitão .... digno de uma novela). Enojam-me este tipo de militares politizados que só vêem o próprio umbigo, capazes de vender a própria mãe ao diabo só para terem o seu momento de glória!!!

Haveria isto de passar-se com os professores!

Ainda temos muito a aprender com os outros ..... Demos as ferramentas ao povo para lutarem pela sua dignidade mas os militares pararam no tempo desde que uns capitães tiveram a coragem de enfrentar os politicos de então."

EMFAR 2014

Reencaminho:

Está a ser tratado nos Ramos, mas sigilosamente - mesmo os que são incumbidos de tratar uma determinada matéria, não terão acesso aos demais assuntos que integram o documento de trabalho...

Convém divulgar esta situação e tentar obter de alguém o documento. E, simultaneamente, forçar esse acesso através da denúncia desta vergonhosa postura do Ministro, com a óbvia concordância das chefias.

... Confirmado, no entanto, que há realmente um estudo em preparação coordenado pelo MGen Chaves, que tem que  estar pronto até 30SET2013, para entrar em vigor a partir de 01JAN2014.